Neo hippies e sua pseudo liberdade.

Por Ana Carolina Lahr.
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Já parou para pensar sobre como a publicidade se apropria dos movimentos da minoria para lançar propostas de consumo que provocam a identificação e consolidação de uma identidade?

Com a ajuda a internet e a velocidade da informação nesse ambiente, forma-se um tripé – moda, consumo e identidade – que caracteriza a formação de novas tribos na sociedade.

Assim nasceram os Neo hippies, que levam uma vida doméstica comum mas trazem consigo os mesmos ideais hippies das décadas de 60 e 70, que usaram o corpo como extensão de manifestação de liberdade, contestação e novos imaginários. A diferença é que eles levantam bandeiras discretas e se adequam à sociedade atual.

Repudiando o apego aos bens da indústria capitalista, os neo hippies defendem que não importa o trabalho que você faz desde que com amor e valor sentimental. Ainda assim, sonham com uma casa na praia ou na montanha com móveis rústicos e têm prazer em gastar seu dinheiro no bem-estar, em viagens, em educação e livros. Sim, eles também admiram a natureza, embora a internet seja a sua conexão com o mundo.

 

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A publicidade instituiu a forma estética padrão da contracultura jovem na década de 70 fazendo fácil identificá-los na multidão: calça jeans boca-de-sino, colorido e estampado, barba e cabelo armado, brincos e roupas artesanais.

Cheia de segunda intenções, foi ela também que resgatou nas passarelas o imaginário comum do hippie adepto ao “paz e amor”.

No embalo antagônico das suas necessidades e quereres, a moda de contracultura Neo Hippie até rompe com a hierarquia e a uniformidade em busca da individualidade como fizeram os “originais’, mas, não deixa de se firmar como um produto a ser consumido.

Embora o neo hippie defenda uma moda atemporal e livre de julgamentos onde cada um se expresse da maneira como se sentir à vontade, mais uma vez a publicidade passa a instituir parâmetros para que novos membros formem sua identidade, ou para que os antigos se identifiquem.

Vamos entender um pouco dessas apropriações?

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Hippie Chic, Boho, e Folk

Enquanto o hippie original é cheio de cor, die-tye e psicodelia, nasce nas passarelas o conceito Hippie Chic. Menos psicodélico, ele usa cores claras e estampas africanas, indianas e florais. As calças boca de sino dão espaço às flares e os acessórios levam um toque feminino à composição.

Outra variação hippie que as passarelas trouxeram à tona foi o estilo Boho, com influências ciganas e requinte europeu.

A mistura não parou por aí. No estilo Folk, o requinte europeu deu espaço ao ar rústico e country americano, cheio de franjas, colete, chapéus, couro e camurças.

 

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Moda indiana

A valorização do autoconhecimento e da evolução espiritual em contraponto à valorização material aproxima os neohippies da cultura oriental e de algumas práticas como o yoga, a meditação, dentre outras.

Assim, não é rara a adoção de símbolos dessa cultura na vestimenta, como é o caso de estampas de deuses indianos como o Ganesha, Shiva, etc., o uso de batas e acessórios com o japamala (utilizado mais com carácter estético que espiritual), dentre outros.

 

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Transcendência e Bruxaria

Livre de preconceitos, os neohippies não possuem uma religião dominante, nem necessariamente única. A busca pela transcendência aproxima algumas vertentes de tribos ancestrais e práticas que vão das druídas, de origem céltica, aos rituais xamânicos, indígenas. O forte apelo à natureza e aos ritos, traz às vestimentas elementos como o couro, penas, conchas, além de amuletos e símbolos da sagrada geometria, wicca, dentre outros.

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Amor aos animais

Durante seu processo de descoberta interior, alguns neohippies adotam práticas veganas em defesa aos animais e excluem a utilização de qualquer produto ou alimento de origem animal de seu cotidiano. Esse é um dos nichos onde a publicidade mais tem se expandido, visto que é um mercado bastante recente e que muito ainda tem muito a explorar tanto em termos de tecnologia quanto de adaptação. Dentre as propostas do mercado para essa sub-vertente encontra-se o couro ecológico, tecidos com tingimento natural, colas e outro produtos especialmente produzidos para esse público.

 

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Sustentabilidade

Começava nos anos 60 e 70 a antimoda, a consciência ambiental fashion e a customização. O romantismo natural da moda hippie trouxe para as roupas inspiração das culturas exóticas, a onda anticonsumo e muito brechó.

O tema permeia todas as vertentes neo hippies. Preocupados com a manutenção do meio ambiente para as próximas gerações, eles não são radicalmente contra o capitalismo e até se adaptam a esse mundo, porém combatem o consumo exarberado e adotam práticas sustentáveis no seu dia-a-dia.

Assim, veneram customizações e projetos DIY (Faça você mesmo) e adoram garimpar nos brechós. Infelizmente, a publicidade se apropriou dessas soluções de maneira supérflua e conseguiu transformar as iniciativas em modismo retrô com réplicas em massa e pseudo-customizações de lojas de departamento que chegam a banalizar o artesanato.

Minhas referências (e que também podem ser para você porque têm muita coisa interessante para se aprofundar no assunto):

https://dobras.emnuvens.com.br/dobras/article/view/482/432

http://www.academia.edu/2021557/Moda_Neo_Hippie_a_nova_onda_do_paz_e_amor

http://www3.eca.usp.br/sites/default/files/webform/projetos/pos-doc/OLB.pdf

http://tribodoneohippie.blogspot.com.br/2013/06/estetica.html

http://www1.sp.senac.br/hotsites/blogs/revistaiara/wp-content/uploads/2015/01/02_IARA_vol1_n2_Dossie.pdf

http://agemt.org/?p=5033

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Moda

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